sexta-feira, 8 de janeiro de 2021

XUXAAAAAA (Quase!)

 

Hoje, iniciamos uma obra aqui em casa. Depois de um tempão, minha tia resolveu trocar as telhas e verificar a madeira do telhado. Isso me fez recordar uma história que aconteceu em 1993, quando fizeram este mesmo serviço aqui. Eu tinha 15 anos e adorava todos os programas de tv infanto-juvenis, mas em especial, era fã(zão) de XUXAAAAAAAAA.

Então...

Resolveram trocar toda a madeira e telhas da casa. Para isso, cobriram todos os móveis.

O dia escolhido não poderia ter sido pior. Chuva que só, água por todos os lugares e o único lugar que não molhava eram: o quarto de voinha e o terraço, porque não haviam destelhado.

Eu nunca tinha saído de casa sozinho pra lugar nenhum e tinha ouvido falar que nesse mesmo dia, aconteceria o lançamento da pedra fundamental do Jardim Botânico de João Pessoa, onde fica o IBAMA, e haveria uma solenidade e depois um show com XUXAAAAAAAAA. Eu, lógico, enlouqueci pra ir, mas, naquele tempo ninguém aqui em casa tinha condições de ir comigo, nem muito menos me mandar ir de taxi. Então, depois de muito aperreio nos ouvidos de voinha, arranjaram pra mim dois tickets estudantis pra ir de ônibus (não sei como deixaram...)

Eu era o adolescente mais feliz do mundo, porque acreditava que iria me tornar o melhor amigo de XUXAAAAAAAA nesse dia. (Grande ilusão... Kkkk)

Me arrumei todo pra sair de casa, quando voinha chegou e disse:  Antero, você vai levar “J” e “A” (vizinhos, que na época eram bem pequenos. Acho que 6 e 7 anos. Não falei os nomes porque não tenho autorização.) Eu, como queria muito ir, apesar do medo, levei os dois. Fomos pegar o 201 – CEASA, que parava ao lado do Almeidão. Paguei minha passagem e os dois passaram por baixo da catraca. O cobrador era um chato e quase não deixou “A” passar. Na verdade, ele ficou preso e “J” começou a chamar ele de gordo. Eu dei um empurrão e “A” desentalou, graças a Deus.

Chegamos lá ao meio dia no meio da chuva, ficamos no meio da rua e quando entramos, fomos para o meio da GERAL, mas sentamos na frente, embaixo, porque no meio era longe!

TUDO CERTO! XUXAAAAAA chegaria em João Pessoa às 14h, iria para o IBAMA deixar as mãos marcadas em uma placa de cimento, depois seguiria para o estádio de helicóptero e faria um show com participação das Paquitas, Gêmeas, Dengue e Praga e Renata Arruda, artista da terra, que hoje em dia eu amo.

Esperamos com sede, fome e totalmente molhados. Eu e “J” não tínhamos dinheiro, só quem tinha era “A” que preferia não gastar pra comprar bombons quando voltasse pra casa. Ficamos lá no aguardo. “A” sempre teve fama de mão de vaca aqui na rua. Espero que ele tenha mudado!

Continuando...

14h: Alguém ouviu no rádio que XUXAAAAAA havia chegado no aeroporto e estava seguindo de ônibus para o IBAMA.

15h: A chuva parou, depois de muita água caindo e a mesma pessoa com o rádio, disse que XUXAAAAAAA estava inaugurando o Jardim Botânico.

16h: A Agitada Gang entra no campo com uma faixa enorme, dando boas-vindas à XUXAAAAAAA. Começaram a tocar várias músicas do repertório dela, e eles ficaram olhando pro céu, esperando o helicóptero chegar.

16h30: Aparece um helicóptero e o povo todinho começa a gritar. Histeria geral, e eu junto! Parecia final de campeonato paraibano. Meu coração disparou, “A” e “J” cansados, sentados e o povo começando a apertar a gente pois estávamos na primeira fila da geral. Ainda tentei pular o alambrado, mas, estava com dois pesos sobressalentes e não poderia deixa-los.

A essa hora, Renata Arruda repetia, em voz e violão no palco, umas 10 vezes a música: “Somos a porta do sooooooolllll...”

Começou a anoitecer, e nada desse helicóptero descer. O bicho passava dando rasantes pra lá e pra cá. O povo dizia que Xuxa tava procurando a nave pra descer. Eu aperreado com o horário. Era pra estar em casa às 18h. A Agitada Gang cansou de esticar a faixa. Colocaram no chão e sentaram, quando, de repente, aparece XUXAAAAAAAA entrando a pé pela entrada dos jogadores. Ela usava uma roupa branca com prata, de princesa, com ombreiras enormes e uma capa semitransparente. Na cabeça, uma tiara igual ao do filme “Super Xuxa contra o Baixo-astral. (Me lembro como se fosse hoje.)

O povo começou a gritar, a empurrar, e eu naquela agonia, querendo chegar perto dela, não podia sair do lugar. “A” começou a chorar porque alguém tinha pisado no pé dele. Depois ele levou um empurrão e caiu. Não vou mentir, achei foi bom pra ele aprender a dividir o pão. Kkkkkkk

Estava em meio a uma histeria coletiva pela presença daquela mulher!

Enfim, ela foi até o palco com todos os convidados, cantou UMA MÚSICA, falou POUCAS PALAVRAS, desceu e começou a caminhar pelo gramado, arrodeando o campo com umas 230.498 pessoas ao redor, entre convidados, políticos, famílias de políticos e seguranças, (ah... e Marlene Matos por perto. Eu vi a cara feia dela. Aff...). Dando tchauzinho de miss. Sabem aquele tchauzinho que a Rainha, avó de Mia ensinou em “O Diário da Princesa”? Pronto. Aquele mesmo! (Quem não sabe, vá assistir!)

Quando ela chegou perto do local onde eu estava, começou a chover e levaram XUXAAAAAAA pra dentro dos vestiários e eu não consegui vê-la de perto!

Esperei um show que não teve, e pensei que seria “miguinho forever” dela. Saí decepcionado do estádio, que estava lotado de pessoas de todas as idades. Pensei: Vamos pegar o ônibus e ir pra casa comer e beber água. Eu estava com muita sede. Saímos em meio àquela multidão e, ao chegar na saída, vimos que não tinha por onde passar, porque tinha lama pro lado direito, pro esquerdo e pra frente. O único caminho razoavelmente “caminhável” era pelo cantinho da parede, que estava cheio de gente. Então resolvemos aguardar um pouco.

Nesse meio tempo, diminuiu a quantidade de pessoas e saímos. Quando de repente...

O ÔNIBUS COM XUXAAAAAAA E OS CONVIDADOS, ESTAVA SAINDO DO ESTÁDIO e todas as pessoas que ainda estavam por ali começaram a gritar, pois XUXAAAAAA estava em pé na porta do ônibus, jogando bonés, camisas, cd’s, dando tchauzinho e mandando beijinhos para todo mundo.

Eu enlouqueci de novo, mandei os meninos agarrarem na minha calça e saí por cima da lama, melando tênis, calça, tentando passar em meio à multidão pra tentar chegar perto da porta do ônibus.

Foi difícil. Segui pela lateral e quando faltava meio metro, mais ou menos, para atingir a porta, uma das janelas se abre. Era uma paquita (Letícia Spiller) que estava com um boné nas mãos. Olhou pra mim e perguntou se eu queria. Eu respondi que sim!

Ela jogou, eu me desequilibrei e caí em uma poça gigante de lama.

Perdi o boné na lama, não falei com XUXAAAAAAA, levei algumas pisadas e o pior, fiquei todo sujo. Parecia uma cobertura de chocolate meio amargo. E era pior, porque a lama era podre e eu ainda engoli um pouco.

            Ainda esperamos um tempão por um ônibus mais vazio, eu todo sujo de lama e os outros passageiros com nojo de chegar perto de mim. A vantagem era que eu parecia Moisés que passava e o mar se abria.

            Ao chegar, já chovendo novamente, entreguei os meninos em casa e, depois de todo esse sofrimento, ainda levei uma bronca grande do povo, pelo horário que estava chegando. Era umas 21h.

            É... amigos... não conheci XUXAAAAAAA nem cheguei perto dela! Mas pelo menos rendeu essa história que me faz rir até hoje!


terça-feira, 5 de janeiro de 2021

Benjamin, nunca mais!

Um dia, ia passando ali pela Av. Benjamim Constant (perto da Capitão Farinha), em Jaguaribe, voltando da Escola Normal com uma fome danada, pensando no caldo de feijão que tava me esperando, quando olhei pro lado e vi uma senhorinha de uns sessenta anos, gordinha, cabelos presos, toda arrochada com roupas de ginástica, sentada num banquinho arrodeada de plantas de todos os tipos e tamanhos. Na verdade, a garagem e o terraço da casa pareciam uma mata.

Eu continuei andando e senti que algo iria acontecer. 

Ela me chamou: 

- Ei, rapaz!!!

Eu só pensava no meu prato de caldo de feijão com arroz... nem olhei pra ela!

- Rapaz, tá ouvindo não? Tô chamando!

Não queria mas, olhei pra ela, apontei para mim e falei:

- Eu?

Ela respondeu:

- Me ajude aqui. Tô sem poder andar direito e quero colocar esse jarrinho aqui pra dentro do terraço!

Vocês já viram aqueles jarros de concreto armado que tem nas praças? "Apôôôôôis" era um desses. Tava com um "pé de palmeira" plantado nele e a mulher queria que eu botasse pra dentro.

A coitada levantou do banquinho com muita dificuldade e saiu se arrastando, mancando... senti pena!

Tirei a mochila das costas, pedi licença e entrei. Calculei o peso do bicho, a distância, agachei, abracei o jarro (tentei mas meus braços não davam. Era muito grande.) e comecei a arrastá-lo para dentro do terraço. 

- TÁ DANADO! ASSIM VAI QUEBRAR!!!! - Disse a véia. SE EU VISSE QUE VOCÊ ERA TÃO MOLE, NÃO TINHA CHAMADO! DEIXE AÍ!

Eu, besta como era, mas indignado por dentro, engoli a raiva, peguei minha mochila e fui saindo, quando ela disse:

- Então pegue aqui essa "avenca" e bote no gancho! 

Eu o fiz!

- Agora você pode botar essa jardineira aqui pra fora? Essa plantinha gosta de sol!

Também fiz! (A essa hora, tudo o que eu queria era ter ficado na escola mais um tempo, ajudando a rodar as apostilas de Maria Magdalena, professora de Didática da Linguagem.) Talvez a mulher tivesse chamado outro coitado pra arrumar o jardim, ao invés de mim! Mas era tarde e eu já estava na roda, tinha que rodar!

- Meu filho, venha aqui dentro. Tem umas plantinhas aqui que faz tempo que eu quero botar no terraço. Você pode pegar?

- Preciso ir pra casa! - falei, desesperado e com dor nas costas!

- Mas tá cedo! - respondeu a mulher, querendo me pedir mais coisas. - Você quer almoçar aqui?

Pensei: Essa véia não tem juízo. Chama um desconhecido na rua, pede pra ajeitar as plantas e ainda oferece almoço? Ainda bem que fui eu. Imagine se fosse um malandro que se aproveitasse da situação pra fazer o mal?

Saí pela tangente. Fui saindo da casa. De repente, a mulher parou de mancar e se arrastar, saiu atrás de mim chamando:

- VÁ AGORA NÃO! TÁ CEDO! EU IA PEDIR PRA VOCÊ ME AJUDAR A PEGAR O SOFÁ E BOTAR NA OUTRA SALA... EEEEEIIIII...

Mas eu já havia dado as costas e saído apressado. Dobrei ali na Sorveteria Esquimó e segui meu destino rumo ao prato de comida que me esperava em casa.

Essa aventura me rendeu um cansaço danado e uma dor nas costas que durou 3 dias pra passar.

Meses depois encontrei tia Fátima, minha professora do Jardim I. Ela mora na mesma rua, quase em frente à casa da mulher. Contei minha história e sabem o que ela falou?

- TU SE LIVROU! AQUELA VÉIA TEM FAMA DE TARADA!

NOOOOOOOOOOOOOOOOOOOSSAAAAAAAAAAAAAA MÃÃÃÃÃÃE! - Pensei! E comecei a rir! 

Outros poderiam ter tirado algum proveito da situação, né?! Mas fico feliz em ter fugido!

Por isso digo e reafirmo: BENJAMIN, NUNCA MAIS!







segunda-feira, 4 de janeiro de 2021


Essa foto foi do dia que eu pensei em criar este blog. 

Tirei pra me lembrar de terminar a configuração do bicho.

Aí veio a pandemia, o isolamento social, as aulas remotas...

E eu esqueci!

Hoje, por acaso, mexendo no notebook para abrir as pastas de 2021 e organizar minha vida,
vi a foto e me lembrei.

Resolvi postá-la, só pra não esquecer que nunca é tarde para se fazer o que tenho vontade!

Em breve, contarei as minhas histórias!

Muitas, alguns conhecem porque as conto em sala de aula.

Outras, ninguém conhece e, se eu tiver coragem, escreverei aqui!

Mas por hora... 

É isso!

 

XUXAAAAAA (Quase!)

  Hoje, iniciamos uma obra aqui em casa. Depois de um tempão, minha tia resolveu trocar as telhas e verificar a madeira do telhado. Isso m...