Hoje, iniciamos uma obra aqui em
casa. Depois de um tempão, minha tia resolveu trocar as telhas e verificar a
madeira do telhado. Isso me fez recordar uma história que aconteceu em 1993,
quando fizeram este mesmo serviço aqui. Eu tinha 15 anos e adorava todos os programas
de tv infanto-juvenis, mas em especial, era fã(zão) de XUXAAAAAAAAA.
Então...
Resolveram trocar toda a madeira e
telhas da casa. Para isso, cobriram todos os móveis.
O dia escolhido não poderia ter sido
pior. Chuva que só, água por todos os lugares e o único lugar que não molhava
eram: o quarto de voinha e o terraço, porque não haviam destelhado.
Eu nunca tinha saído de casa sozinho
pra lugar nenhum e tinha ouvido falar que nesse mesmo dia, aconteceria o lançamento
da pedra fundamental do Jardim Botânico de João Pessoa, onde fica o IBAMA, e
haveria uma solenidade e depois um show com XUXAAAAAAAAA. Eu, lógico,
enlouqueci pra ir, mas, naquele tempo ninguém aqui em casa tinha condições de
ir comigo, nem muito menos me mandar ir de taxi. Então, depois de muito
aperreio nos ouvidos de voinha, arranjaram pra mim dois tickets estudantis pra
ir de ônibus (não sei como deixaram...)
Eu era o adolescente mais feliz do
mundo, porque acreditava que iria me tornar o melhor amigo de XUXAAAAAAAA nesse
dia. (Grande ilusão... Kkkk)
Me arrumei todo pra sair de casa,
quando voinha chegou e disse: Antero,
você vai levar “J” e “A” (vizinhos, que na época eram bem pequenos. Acho que 6
e 7 anos. Não falei os nomes porque não tenho autorização.) Eu, como queria muito
ir, apesar do medo, levei os dois. Fomos pegar o 201 – CEASA, que parava ao
lado do Almeidão. Paguei minha passagem e os dois passaram por baixo da
catraca. O cobrador era um chato e quase não deixou “A” passar. Na verdade, ele
ficou preso e “J” começou a chamar ele de gordo. Eu dei um empurrão e “A”
desentalou, graças a Deus.
Chegamos lá ao meio dia no meio da chuva,
ficamos no meio da rua e quando entramos, fomos para o meio da GERAL, mas
sentamos na frente, embaixo, porque no meio era longe!
TUDO CERTO! XUXAAAAAA chegaria em
João Pessoa às 14h, iria para o IBAMA deixar as mãos marcadas em uma placa de
cimento, depois seguiria para o estádio de helicóptero e faria um show com
participação das Paquitas, Gêmeas, Dengue e Praga e Renata Arruda, artista da terra,
que hoje em dia eu amo.
Esperamos com sede, fome e totalmente
molhados. Eu e “J” não tínhamos dinheiro, só quem tinha era “A” que preferia
não gastar pra comprar bombons quando voltasse pra casa. Ficamos lá no aguardo.
“A” sempre teve fama de mão de vaca aqui na rua. Espero que ele tenha mudado!
Continuando...
14h: Alguém ouviu no rádio que XUXAAAAAA
havia chegado no aeroporto e estava seguindo de ônibus para o IBAMA.
15h: A chuva parou, depois de muita água
caindo e a mesma pessoa com o rádio, disse que XUXAAAAAAA estava inaugurando o
Jardim Botânico.
16h: A Agitada Gang entra no campo
com uma faixa enorme, dando boas-vindas à XUXAAAAAAA. Começaram a tocar várias
músicas do repertório dela, e eles ficaram olhando pro céu, esperando o
helicóptero chegar.
16h30: Aparece um helicóptero e o
povo todinho começa a gritar. Histeria geral, e eu junto! Parecia final de
campeonato paraibano. Meu coração disparou, “A” e “J” cansados, sentados e o
povo começando a apertar a gente pois estávamos na primeira fila da geral. Ainda
tentei pular o alambrado, mas, estava com dois pesos sobressalentes e não poderia
deixa-los.
A essa hora, Renata Arruda repetia,
em voz e violão no palco, umas 10 vezes a música: “Somos a porta do
sooooooolllll...”
Começou a anoitecer, e nada desse
helicóptero descer. O bicho passava dando rasantes pra lá e pra cá. O povo
dizia que Xuxa tava procurando a nave pra descer. Eu aperreado com o horário.
Era pra estar em casa às 18h. A Agitada Gang cansou de esticar a faixa. Colocaram
no chão e sentaram, quando, de repente, aparece XUXAAAAAAAA entrando a pé pela
entrada dos jogadores. Ela usava uma roupa branca com prata, de princesa, com ombreiras
enormes e uma capa semitransparente. Na cabeça, uma tiara igual ao do filme “Super
Xuxa contra o Baixo-astral. (Me lembro como se fosse hoje.)
O povo começou a gritar, a empurrar,
e eu naquela agonia, querendo chegar perto dela, não podia sair do lugar. “A”
começou a chorar porque alguém tinha pisado no pé dele. Depois ele levou um
empurrão e caiu. Não vou mentir, achei foi bom pra ele aprender a dividir o
pão. Kkkkkkk
Estava em meio a uma histeria
coletiva pela presença daquela mulher!
Enfim, ela foi até o palco com todos
os convidados, cantou UMA MÚSICA, falou POUCAS PALAVRAS, desceu e começou a
caminhar pelo gramado, arrodeando o campo com umas 230.498 pessoas ao redor,
entre convidados, políticos, famílias de políticos e seguranças, (ah... e Marlene
Matos por perto. Eu vi a cara feia dela. Aff...). Dando tchauzinho de miss. Sabem
aquele tchauzinho que a Rainha, avó de Mia ensinou em “O Diário da Princesa”?
Pronto. Aquele mesmo! (Quem não sabe, vá assistir!)
Quando ela chegou perto do local onde
eu estava, começou a chover e levaram XUXAAAAAAA pra dentro dos vestiários e eu
não consegui vê-la de perto!
Esperei um show que não teve, e
pensei que seria “miguinho forever” dela. Saí decepcionado do estádio, que
estava lotado de pessoas de todas as idades. Pensei: Vamos pegar o ônibus e ir
pra casa comer e beber água. Eu estava com muita sede. Saímos em meio àquela multidão
e, ao chegar na saída, vimos que não tinha por onde passar, porque tinha lama
pro lado direito, pro esquerdo e pra frente. O único caminho razoavelmente “caminhável”
era pelo cantinho da parede, que estava cheio de gente. Então resolvemos aguardar
um pouco.
Nesse meio tempo, diminuiu a
quantidade de pessoas e saímos. Quando de repente...
O ÔNIBUS COM XUXAAAAAAA E OS CONVIDADOS,
ESTAVA SAINDO DO ESTÁDIO e todas as pessoas que ainda estavam por ali começaram
a gritar, pois XUXAAAAAA estava em pé na porta do ônibus, jogando bonés,
camisas, cd’s, dando tchauzinho e mandando beijinhos para todo mundo.
Eu enlouqueci de novo, mandei os
meninos agarrarem na minha calça e saí por cima da lama, melando tênis, calça,
tentando passar em meio à multidão pra tentar chegar perto da porta do ônibus.
Foi difícil. Segui pela lateral e
quando faltava meio metro, mais ou menos, para atingir a porta, uma das janelas
se abre. Era uma paquita (Letícia Spiller) que estava com um boné nas mãos.
Olhou pra mim e perguntou se eu queria. Eu respondi que sim!
Ela jogou, eu me desequilibrei e caí em
uma poça gigante de lama.
Perdi o boné na lama, não falei com XUXAAAAAAA,
levei algumas pisadas e o pior, fiquei todo sujo. Parecia uma cobertura de
chocolate meio amargo. E era pior, porque a lama era podre e eu ainda engoli um
pouco.
Ainda esperamos
um tempão por um ônibus mais vazio, eu todo sujo de lama e os outros passageiros
com nojo de chegar perto de mim. A vantagem era que eu parecia Moisés que passava
e o mar se abria.
Ao chegar,
já chovendo novamente, entreguei os meninos em casa e, depois de todo esse
sofrimento, ainda levei uma bronca grande do povo, pelo horário que estava
chegando. Era umas 21h.
É... amigos...
não conheci XUXAAAAAAA nem cheguei perto dela! Mas pelo menos rendeu essa
história que me faz rir até hoje!

