Eu continuei andando e senti que algo iria acontecer.
Ela me chamou:
- Ei, rapaz!!!
Eu só pensava no meu prato de caldo de feijão com arroz... nem olhei pra ela!
- Rapaz, tá ouvindo não? Tô chamando!
Não queria mas, olhei pra ela, apontei para mim e falei:
- Eu?
Ela respondeu:
- Me ajude aqui. Tô sem poder andar direito e quero colocar esse jarrinho aqui pra dentro do terraço!
Vocês já viram aqueles jarros de concreto armado que tem nas praças? "Apôôôôôis" era um desses. Tava com um "pé de palmeira" plantado nele e a mulher queria que eu botasse pra dentro.
A coitada levantou do banquinho com muita dificuldade e saiu se arrastando, mancando... senti pena!
Tirei a mochila das costas, pedi licença e entrei. Calculei o peso do bicho, a distância, agachei, abracei o jarro (tentei mas meus braços não davam. Era muito grande.) e comecei a arrastá-lo para dentro do terraço.
- TÁ DANADO! ASSIM VAI QUEBRAR!!!! - Disse a véia. SE EU VISSE QUE VOCÊ ERA TÃO MOLE, NÃO TINHA CHAMADO! DEIXE AÍ!
Eu, besta como era, mas indignado por dentro, engoli a raiva, peguei minha mochila e fui saindo, quando ela disse:
- Então pegue aqui essa "avenca" e bote no gancho!
Eu o fiz!
- Agora você pode botar essa jardineira aqui pra fora? Essa plantinha gosta de sol!
Também fiz! (A essa hora, tudo o que eu queria era ter ficado na escola mais um tempo, ajudando a rodar as apostilas de Maria Magdalena, professora de Didática da Linguagem.) Talvez a mulher tivesse chamado outro coitado pra arrumar o jardim, ao invés de mim! Mas era tarde e eu já estava na roda, tinha que rodar!
- Meu filho, venha aqui dentro. Tem umas plantinhas aqui que faz tempo que eu quero botar no terraço. Você pode pegar?
- Preciso ir pra casa! - falei, desesperado e com dor nas costas!
- Mas tá cedo! - respondeu a mulher, querendo me pedir mais coisas. - Você quer almoçar aqui?
Pensei: Essa véia não tem juízo. Chama um desconhecido na rua, pede pra ajeitar as plantas e ainda oferece almoço? Ainda bem que fui eu. Imagine se fosse um malandro que se aproveitasse da situação pra fazer o mal?
Saí pela tangente. Fui saindo da casa. De repente, a mulher parou de mancar e se arrastar, saiu atrás de mim chamando:
- VÁ AGORA NÃO! TÁ CEDO! EU IA PEDIR PRA VOCÊ ME AJUDAR A PEGAR O SOFÁ E BOTAR NA OUTRA SALA... EEEEEIIIII...
Mas eu já havia dado as costas e saído apressado. Dobrei ali na Sorveteria Esquimó e segui meu destino rumo ao prato de comida que me esperava em casa.
Essa aventura me rendeu um cansaço danado e uma dor nas costas que durou 3 dias pra passar.
Meses depois encontrei tia Fátima, minha professora do Jardim I. Ela mora na mesma rua, quase em frente à casa da mulher. Contei minha história e sabem o que ela falou?
- TU SE LIVROU! AQUELA VÉIA TEM FAMA DE TARADA!
NOOOOOOOOOOOOOOOOOOOSSAAAAAAAAAAAAAA MÃÃÃÃÃÃE! - Pensei! E comecei a rir!
Outros poderiam ter tirado algum proveito da situação, né?! Mas fico feliz em ter fugido!
Por isso digo e reafirmo: BENJAMIN, NUNCA MAIS!

KKKKKKKKKK, VOCÊ TODO ARRUMADINHO E CHEIROSO...ELA SE ENCANTOU..KKKKKKK
ResponderExcluirTava não. Tinha passado a manhã estudando e ia pra casa todo suado querendo banho e comida.
ExcluirHuuummmm... Obrigada por me fazer parar de chorar as 3 da madruga
ResponderExcluirEspero que esteja tudo bem agora. Em breve postarei outra história.
Excluirrsrs, Muito Bom.. mas queria ver mesmo se ela te Tarasse, o resultado dessa prosopopeia... posta mais caousos..
ResponderExcluirTem perigo não. Ela iria se decepcionar. Kkkkkkkkkk
ExcluirEita, ia ser no sofá? Será? Kkk
ResponderExcluirHahahahahaha
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